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segunda-feira, 21 de junho de 2010

O caso do navio Marmara

Primeiro dia.
No início da tarde fiquei sabendo de um confronto entre a marinha israelense e um navio turco que tentava alcançar a faixa de Gaza. Houveram mortes do lado turco.
Tratei de ficar de olho nas notícias pra tentar entender o que estava acontecendo. Liguei a TV no Skynews, canal de notícias da Tv britânica.
No final do dia eu estava com raiva de Israel. Assisti à algumas imagens filmadas com celular de dentro no navio. Mostrava pessoas indefesas sangrando, mulheres correndo pra lá e pra cá tentando socorrer os feridos. Uma curta entrevista com Einat Wilf, membro do parlamento israelense, o “knesset”, na qual, ela declarou que a operação foi um erro. “Civis morreram, soldados foram feridos. Nós não deveríamos estar lá”. E, pra terminar, comentários de pacifistas britânicos que protestavam em Londres, dizendo que conheciam as pessoas à bordo do navio, que eram pacifistas engajados e que absolutamente não havia armas no navio e, por fim, que a postura israelense era absurda e inaceitável.

Segundo dia. Menos poeira no ar, os fatos se tornam mais claros.
A posição da Skynews recuou de um dia pro outro. Enquanto no primeiro dia, os israelenses foram pintados como malfeitores bastardos que não permitiam que os necessitados recebessem ajuda, no segundo dia, os pacifistas já não eram tão pacifistas assim.
O que foi mostrado?
1- Um vídeo com os soldado israelense apanhando antes mesmo de soltar a corda do helicóptero, de onde desciam.
2-Entrevista ao vivo com um dos ministros, explicando que, dos seis navios interditados, cinco não ofereceram resistência, foram escoltados para o porto Israelense, onde seriam averiguados e o conteúdo seria encaminhado para Gaza pelo exército israelense. O único navio que apresentou resistência foi o Marmara, no qual os soldados foram atacados e teriam agido em legítima defesa.
3- O posicionamento de alguns países e das Nações Unidas que não foram tão enfáticos em condenar Israel, mas demonstraram a necessidade de uma profunda investigação.

Assisti à como a notícia foi veiculada no jornal nacional e me surpreendi, constatando que a notícia foi bem menos tendenciosa do que eu imaginava. A reportagem do dia 31 de maio, cobriu os dois lados satisfatoriamente. Lembrando que não existe imparcialidade.
Notícias impressas foram mais tendenciosas, omitindo alguns fatos e usando termos bastante pesados, como rapto e massacre.

Depois de todos esses dias recebi um vídeo caseiro que mostra os soldados israelenses encontrando armamento pesado, estou falando de mísseis e coisas do gênero, entre o conteúdo à bordo do navio. Isso foi divulgado no Brasil? Acho que não e, acho que em lugar nenhum, isso me deixa com a pulga atrás da orelha e com a sensação que tem gente muito poderosa que não tem interesse na verdade ou no esclarecimento dos fatos.
O mais natural seria que esse vídeo fosse bem divulgado para que as pessoas entendessem o que realmente aconteceu, a preocupação e, consequentemente, as ações de Israel.

Moral da história. Acredito que a invasão aos navios e as ações de Israel para garantir a segurança de seu território são justificáveis. Apenas acho que eles deveriam estar mais preparados para enfrentar resistência usando bombas de gás, e projéteis com tranquilizantes. Isso garantiria menos ódio e uma melhor imagem para Israel.
Tem muita informação faltando. Quem morreu? No final pouco se falou sobre o assunto e não se sabe se esses indivíduos eram mesmo pacifístas engajados ou terroristas. Por que?
Bem, no momento está todo mundo preocupado com a copa e, esse assunto já ficou pra trás.

Assista ao vídeo que mostra as armas encontradas na embarcação turca.
http://www.flix.co.il/tapuz/showVideo.asp?m=3423928